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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Para onde vão as usinas

Empresas sucroalcooleiras ligaram o alerta vermelho por causa da crise que assola o setor; só em 2012 três usinas fecharam no Paraná

A crise instaurada no setor sucroenergético ocasionou em 2012 o fechamento de três usinas no Paraná e 41 na região Centro-Sul do País. De acordo com José Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), nos próximos anos, em torno de 60 unidades deverão parar suas atividades por falta de recursos financeiros. A análise foi baseada no último relatório da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). 

Os subsídios governamentais para a gasolina e a falta de políticas específicas de fomento à atividade sucroenergética foram os fatores principais que culminaram na atual dificuldade enfrentada pelo setor. "Os custos de produção aumentam todos os anos, mas o valor do etanol não pode passar de 70% em relação ao preço congelado da gasolina", explica Dias. Com esse cenário negativo, teve início a safra 2013/14. O Paraná espera colher no atual ciclo 39,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, contra 39,7 milhões da safra anterior. 

De acordo com dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), a produção da cultura para a safra 2013/14 deverá chegar a 653,81 milhões de toneladas no País, volume 11% superior se comparado ao ciclo anterior. Só na região Centro-Sul, deverão ser produzidas 532 milhões de toneladas de cana. Para a produção de açúcar, a Conab estima um aumento de 13,61% em relação ao ciclo passado, com um total previsto de 43,56 milhões de toneladas. A produção total de etanol deverá chegar a 25,77 bilhões, 8,99% maior do que na safra passada. 

O superintendente da Alcopar afirma que o açúcar é que vem segurando as usinas, isso porque a commodity tem o preço balizado no mercado internacional. De acordo com dados da união das indústrias, o Brasil exporta 24 milhões de toneladas por ano de açúcar e consome apenas 9 milhões de toneladas, embora tenha capacidade de consumo bem maior. Já o etanol, dos 27 bilhões de litros produzidos em média por ano, 95% são voltados para o consumo interno. "O Brasil estava incentivando o consumo de etanol por meio dos veículos flex, mas com a descoberta do pré-sal, abandonou o projeto", lamenta o superintendente. 

Dias espera que a presidente Dilma Roussef cumpra a promessa de apresentar um pacote de apoio ao setor. "O Brasil tem que saber o que quer do nosso segmento", completa o superintendente da Alcopar. De acordo com Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica, 20% das empresas sucroalcooleiras possuem um alto índice de endividamento. Porém, ele acrescenta que as usinas não desistiram do setor e estão tentando melhorar a rentabilidade por meio do aumento da produtividade. 
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